Sua fome pode ser sede, sabia?

É bem isso! E apesar de não parecer, é muito comum confundirmos essas sensações.

O hipotálamo é o responsável pelo envio de mensagens de fome e sede. Sentir a sensação de fome é mais comum do que a de sede, e quando essa aparece, provavelmente já estamos 2% desidratados. Uma das funções da nossa alimentação é fornecer uma parte da água que precisamos diariamente. Por isso que muitas vezes, quando estamos pouco hidratados, nosso corpo “pede comida”, mas com o objetivo de adquirir água. Legal, não é?!

O grande problema é que uma boa parte da população tem consumido cada vez mais alimentos secos, desidratados e industrializados, ao invés de alimentos naturais como frutas e vegetais, que contém maior teor de água. E frases como “Nutri, eu como e belisco o tempo todo e a fome não  passa…” ficam fáceis de serem compreendidas.

Do ponto de vista metabólico, há alguns estímulos que também podem interferir na
sensação de fome. O hormônio NPY, a grelina e a dopamina, por exemplo, podem aumentar o apetite, enquanto que o peptídeo YY, GLP-1 e a colecistocinina podem induzir saciedade. E alterações em alguma dessas vias, por motivos variados, como alterações emocionais, endócrinas, digestivas, obesidade, entre outros, podem, com toda certeza, impactar nas sinalizações de fome.

O fato é que muitos fatores podem interferir na sensação de fome e sede, interagindo em algumas vias e nosso cérebro pode ficar confuso em alguns momentos. Sintomas de desidratação, como lentidão, fadiga, etc, também podem ser sentidos quando estamos entediados. Daí também conseguimos compreender o porquê de procurarmos mais comida quando estamos tristes ou desestimulados.

Tem uma frase que sempre digo aos meus pacientes: Quando sentir fome, beba água primeiro e só depois avalie se realmente é fome. Além de propiciar uma melhor percepção, ingerir mais água, também ajuda naturalmente a reduzir a fome. Isso porque, temos mecanorreceptores que são ativados após ingestão de líquidos e enviam sinais de saciedade para o cérebro.

Esses são só alguns exemplos de como nosso funcionamento metabólico pode influenciar comportamento e interferir negativamente em preferências e consequentemente, no nosso peso. Avaliar tudo isso de forma aprofundada e integrada nos pacientes faz toda a diferença na hora de traçar as estratégias e estabelecer uma conduta. Fique atento! 😉

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